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Os acontecimentos da última noite pertecem ao reino do inenarrável (caí com uma furadeira ligada dentro da privada, um dia explico melhor), portanto, vamos nos ater ao que se pode contar.... e o que se pode contar é minha tremenda idéias dos

Corpos para os Porcos!

Morreu? Entregue aos corpos, digo, porcos... O seguinte. Porcos comem corpos. E nós comemos porcos. É o início de um círculo virtuoso. Seu vizinho morto de hoje tornar-se-á o bacon de amanhã. Aquele seu colega falecido será reaproveitado na confecção de costelinhas de porco. Quem não gosta de costelinhas de porcos? Só os corpos, que não estão vivos e por isso não tem opinião formada sobre o tema.

Vou vender esta idéia pra Sadia, pois eliminamos dois problemas. O primeiro, o que fazer com os mortos (enterrar pra quê? só ocupam espaço... E cremar gasta muita energia, precisamos de bastante gás para fazer um bom einsbein). O segundo, como produzir mais bacon para um universo sedento de bacon. E einsbein. Sou um gênio. E adoro einsbein, com chucrute e tudo.

Quando seus parentes morrerem, pense nisto. Melhor um porco bem alimentado que um parente com lápide.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Retrato de um chocólatra

O chocólatra fala para si mesmo: "caralho, acabou o chocolate!"

O chocólatra pensa "vou escrever chocolate na lista de supermercado".

Chega ele à lista de supermercado e lê no primeiro item: "chocolate"

Porra!

Grita o chocólatra "nem um relés prestígio nesta merda de casa! Vai tomar bem forte no meio do seu..." E os palavrões escorrem pelo ralo.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Fim de semana prolongado.

Tomei chuva e fiquei com caganeira e bebi sexta-feira a tarde inteira e fiquei devendo no bar e comprei quatro pinceis de marta e dividi 1000 por 223 (que é primo) até a ducentésima sexagésima quinta casa decimal e fui para sampaulo ver fotos da suécia e minha avó morreu e quase fui para Itu e para são carlos e dormi pessimamente e li um conto do borges pela trocentésima vez e fui num casamento que não era o meu e esqueci de tirar a roupa do varal quando a chuva começou e de tomar café e bebi esquentado porque me deu preguiça de fazer outro e finalmente limpei o banheiro e consertei o freio da bicicleta e li as últimas cartas que o vicente escreveu para o irmão também van gogh e dormi pessimamente outra vez e peguei musicas na internet e vi besteiras no youtube e botei antivirus no computador e olhei a chuva cair e as folhas secas molhadas de chuva e logo vou para o bar assistir a um jogo qualquer e depois dormir pessimamente.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Blog em revisão. Um dia (distante) coloco novos textos. Por enquanto, fiquem com os troços que aí estão e nao me encham o saco (gostaria de enfatizar esta última frase, mas sou muito educado para tal).

 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Que rapaz mais adorável

Não simpatizo com a raça humana. Nunca o fiz, desde pequeno. Com o passar do tempo, este preconceito foi comprovado pela experiência. Gente é um troço barulhento, indelicado, estúpido e na maior parte das vezes, inútil. Feito um moedor de milho. Desta maneira, tenho bastante ciúmes de minha solidão, cultivada diariamente.

 

Nestes últimas dias, porém, sofri uma violenta investida das forças humanas: novos vizinhos. Terríveis. Barulhentos. Indelicados. Estúpidos. Inúteis. Uns moedores de milho. Felizmente, são temporários, e graças às táticas defensivas que adotei, este tempo vem decaindo. Com empenho e dedicação, a velha Xantipa e seu marido anti-Sócrates deixarão de ser meus vizinhos.

 

Levo uma vida silenciosa aqui. Mesmo sozinho, evito fazer barulho, pois o considero besta. Os novos vizinhos notaram esta minha característica e acharam-me uma graça. Que rapaz mais adorável...Pois sim! Defendi-me dignamente deste jeito:

 

Noite Um. No mais denso silêncio da madrugada, dei um grito inesperado. URRRAAA!! Depois contei alguns segundos e espatifei uma garrafa de vidro no chão. Não contente, atirava bolinhas de gude, em intervalos de trinta minutos. Fiz isso até as cinco da matina. Que rapaz mais adorável

 

Noite Dois. Quatro da madruga acordei. Novamente, denso silêncio. E por quê não colocar a parte final de “We´re only in it for the money”? Não em alto volume, diga-se. Apenas sugerindo que o rapaz mais adorável produz uma estranha cacofonia. E tem um monte de gente no quarto dele rindo, pensa o anti-Sócrates. Pensa? Hmmm, estou sendo meio otimista...

 

Noite Três. Começa o silêncio (mas pouca gente percebe) em torno de 01:00. Ora bolas, minhas facas estão cegas. Passo um tempinho afiando-as, e desafiando a imaginação dos vizinhos infernais. Que diabo de rapaz mais adorável este que passa a noite amolando facas? Também dei um grau nos formões. São noruegueses, custam uma nota e não podem ficar cegos.

 

Noite quatro. Pretendo parar com os estranhos barulhos. Se bem que meu latim está enferrujado. Seria uma boa relembrar os tempos verbais em voz alta. E ler um pouco de Virgílio. "Aeinedos liber primus... Arma virumque cano, Troiae qui primus ab oris Italiam fato profugus..."

 

Manhã após a noite quatro. Ouvi a frase solta: "vamos embora hoje mesmo!" Yesss. Estes vizinhos já mudaram de idéia, mas eu continuo me achando um rapaz adorável.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Deveriam inventar um campeonato literário. Mas não de poesias melosas e romances existencialistas. Seria algo do tipo "invente uma história vingativa envolvendo o proprietário da sua casa"

E só pra quem mora em casa alugada.

Estou dizendo isso porque aconteceu algo com o dono lá de casa que... transcende a criatividade. Ninguém nunca pensou nisto. Talvez só o Willy Coyote. 

Sabe aqueles caminhões que despejam concreto, através dum longo "canudinho" articulado? Este treco aí pretendia despejar concreto na laje dum prédio de três andares, lá atrás de casa. Esticaram o canudinho e, bom, ele ficou um pouco fora do local certo. Exatamente no quintal da outra casa do mesmo proprietário da minha. O infeliz (um velho tremendamente idiota) estava no quintal citado fazendo gambiarras quando deram o Start no "despejar concreto". Eu tinha acabado de acordar quando ouvi um tremendo Flooooosh!!!

Abri a janela e lá estava o Seu Ovídio, cinza, furibundo, no sua piscininha de concreto.

Após dez horas do ocorrido, eu ainda estou dando risada. Doem as bochechas deste que vos escreve. Foi como um sonho (que não tive) tornandos-se realidade. E logo bem cedo. Ah, como viver, às vezes, é bom.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Outro dia, comprei uma garrafa de vinho. E fiquei bebericando-a enquanto matutava uns assuntos. Lá pelas tantas, comecei a pensar nos escritores chegados à manguaça. Joyce um deles. Balzac, com excessos de toda ordem. Poe, e dizem que não era propriamente um copólogo, apenas fraco pro álcool. O clássico Bukowski... E Fernando Pessoa. Então trombei com uma teoria. A saber:

Ora bolas, pensei, será que o Fernandinho fez um heterônimos para as ressacas?

Que simples. O Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros, autor do Livro do Desassossego. Leia lá, caro coleguinha. Após uma noitada encharcando a cuca, o sujeito fica assim inativo, inábil, infenso às ambições e pragmatismos, totalmente abulico, vontades de nada. E mais, prefere ficar deitado a sonhar, pois o mundo está repugnante. As impressões, por mais leves, tem a dimensão do colossal. E tudo, tudo tudo, parece ter surgido ali, como por efeito dum truque mental, inclusive as outras pessoas.

Dependendo do tamanho da ressaca, o sujeito até se arrepende de ter escrito o Rei Lear. Aponta imperfeições com facilidade, pois seu espírito está aguçadíssimo para o imperfeito. Prefere não conquistar impérios e vê na briga da esquina as comoções do eterno. A Rua dos Douradores torna-se um universo vastíssimo. Enfim, Bernardo Soares é a personificação da ressaca.

A prova desta teoria é o próprio livro, que nunca tornou-se livro de verdade. Apenas um amontoado de notas, sem datas, títulos, revisões. Papelada num baú. Coisa de bêbado mesmo. Quem quiser, que leia. Quem não quiser, vá para a praia.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Pedrinho

Ele joga futebol, embora não tenha preparo físico ou categoria. Bebe bastante depois do jogo e fica numa ressaca desgraçada. Isto leva-o à culpa mais feroz, mais atroz, mais sem voz. Então Pedrinho passa o dia cometendo boas ações, punindo-se ao ajudar a humanidade. Apenas porque se sente culpado. Ora bolas, Pedrinho, vê se te ajeita...Nietzsche explicá-lo-ia melhor que Freud. Mas ambos estão mortos e só restou eu (moi) pra fazer as explicações. Assim, defino sinteticamente nosso pau d´água perna de pau como o Raskolnikov do copo.

Agora Pedrinho anda implicando com o cinza. Cor deveras injustiçada, clama ele pelas esquinas, gramados e botecos. Todos chamam o azul de belo azul... o amarelo de belo amarelo... e o cinza, coitado, ninguém sentencia à beleza. Pedrinho, tomado de santo ódio, salvará o gris de seu ostracismo cromático. Pretende compilar um catálogo com os mais bonitos cinzas da natureza. E já coletou uma mariposa esquisita, duas pedras e uma pena de avestruz. Com apoio estatal, diz ele, tudo seria mais fácil. Eu (moi) concordo.

O que Pedrinho não sabe, mas eu (moi) sei, é que logo cairá de amores por uma bela mocinha do tipo muchacha. Eleanor, catalã sestrosa de olhos meio adormecidos. Caixa dum banco lá da avenida. Pedrinho bem que gostaria de levar flores cinzas para a esguia e ondulante Eleanor, mas ele não sabe qual a opinião da moça sobre a cor. E tem medo de perguntar... A donzela pode achá-lo doido. Perguntar assim, sem mais nem menos, o que ela acha do cinza. Onde já se viu? Corroído pela timidez, Pedrinho vai e bebe oceanos.

Enfim, nunca serão namoradinhos. E Pedrinho continuará cachaceiro sem retorno, colecionador dos mais belos cinzas da natureza. Morrerá com uma infecção nos rins. Uma pedra amarela. Eleanor perderá suas qualidades acachapantes após casar com Teixeira, o gerente bam-bam-bam. A moça e seu ventre (antes tão bonitinho) vão expelir três pirralhos infernais. O do meio será eminência parda em algum governo futuro. Mas deixa pra lá. Como dizem os metidos a gauleses metidos: c´est la vie.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



A Teoria do Caos Aplicada

Crianças criancinhas, do tipo bebê, são todas iguais. Há quem discorde, professorinhas em geral. Mas a realidade refuta e sempre refutará as professorinhas. Todas os recém-nascidos são meio gordinhos, meio carecas, meio bobôs, meio babentos, meio incapazes de se alimentar, limpar, andar, falar... em suma, desempenhar alguma atividade que nao seja chorar e mexer-se sem resultados práticos.

Já os velhos velhinhos, do tipo ancião, são todos diferentes. Rugas geograficamente definidas. Uns com nariz pendentes, outros orelhudos, muitos de olhos enevoados. Carecas, ou de cabelos brancos. Magros ou gordinhos. Encurvados. Sequelados. E todos singulares. Para usar a terminologia dos entedidos, os pequeníssimos inputs do cotidiano acarretaram em incríveis diferenças no output final - a velhice - o resultado da equação não-linear da vida. 



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Como medir o silêncio 2

Uma lata vazia de pomarola serve. Ou creme de leite. Ou leite condensado. Ou de ervilhas. Não importa. Precisa estar vazia. E limpa, pois experiências sonoras poderão dar resultado negativo em caso de insetos transitando pelo quarto... Insetos, esses intransigentes transitadores.

Coloque a lata na cabeceira da sua cama. Dê uma leve inclinação na lata, de modo que ela encoste-se na parede. Vista seu melhor pijama, apague as luzes e passe a noite insone, deitado no leito previamente preparado com a lata. De repente, lá pras tantas da madrugada, a lata começa a fazer tum... tum... tum... tum... ritmadamente. "Poltergeist!", gritará você, perfeito palerma. Mas nao é nada disto. Mova-se lentamente, lentalentíssimamente, pressione o polegar esquerdo contra o pulso direito. Percebeu o que é o tum tum? 

Adianto-lhe: as batidas na lata nada mais são que o seu coração. Sim senhor(a). Mas só ouvirá isto na hora mais silenciosa da noite, quando a insônia lhe diz que dormir é perda de tempo, melhor seria fazer bolo de chocolate ou trocar o piso do banheiro.

Será que minhas experiências sonoras dão certo por que moro ao lado do cemitério? Vizinhança mais quieta... Parece até que estão todos mortos.

(Entre a insônia e o poltergeist, pelo menos o segundo nos faz correr, gritar, queimar calorias, acordar os vizinhos e depois dormir de cansaço).

Outro jeito de medir o silêncio? Desligue todos os relógios da sua casa. No meio da noite, ouvirá o tic tac de alguma casa próxima. É sério.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Como medir o silêncio

Fácil facilíssimo demais. Basta riscar um fósforo. Se o silêncio for realmente enorme, segue-se um embate cruel entre a madeira rangendo e chorando, e o fogo estalando e fazendo fzzzz... Após a luta, o sobrevivente, apesar do estado irremediável, será o palito. Ele ainda se contorce e reclama uns gemidos, mesmo depois de alguns minutos.

Caso o Sr(a) não ouça nada disto, ainda não chegaste ao mais profundo silêncio da madrugada. Favor repetir a operação até constatar os sons da batalha.

E evite pensar no resultado. 



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Não se fala noutra coisa. O molequinho que foi arrastado, e que maldade, e que canalhas, e que etc e tal.

Nestes momentos, costumo pensar positivamente. E é bem fácil. Basta criar a seguinte hipótese: o molequinho arrastado, se não morresse agora, poderia ser um troço bem horrível no futuro. Imaginem se ele fosse um novo Hitler, um Stalin, um Robin Williams ou sei lá, um David Beckham. Talvez escrevesse livros de auto-ajuda. Ou, muito provavelmente, entrevistaria, em rede nacional, mães de molequinhos arrastados. Seria líder de uma banda de forró-pop-axé-sertanejo-timbalada-e-por-aí-vai. Posso aumentar esta lista até o infinito, portanto, melhor parar aqui.

Acho mais relevante discutirmos a nova moda dos vinhos Rosé. E já digo que sou contra. Por que? Oras bolas, é cafona. Poucas comidas combinam. E a acidez nunca está equilibrada (porque tem pouco tanino, dã!). Certamente duas ou três garrafas superam as expectativas, mas elas devem custar o mesmo que a minha casa. Que nem é minha, diga-se.

E sabe aquele lance de ler até os olhos fritarem? Aquelas sabedorias de matuto anarfa? Pois às vezes ocorre. Em mim, o que é pior. Presciso me internar num spa oftalmico. Nada de leituras, filmes, libertadores da américa, pinturas, desenhos, internet, balanços corporativos e a porcaria de vasculhar o quarto atrás de pernilongos. Fatia de pepino nos zóios e Bach, Scarlatti, Verdi e Zappa nos zouvidos. O problema é fazer isso o dia inteiro. Que maçada. Só arrastando moleques pra desestressar.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Gradação dos Unfos

Tive esta idéia enquanto esperava o feijão cozinhar. E é bem simples. A partir da Decomposição do Triunfo, formulei os níveis mais baixos (o unfo e o biunfo), até as conquistas mais superlativas (o tetraunfo e pentaunfo). Comecemos por baixo.

 

O Unfo. Primeiro e mais básico deles. Unfa quem consegue aqueles pequenos feitos do cotidiano, como um feijão bem temperado ou manter a mesa de trabalho organizada. Gravar CD´s direito, sem ataques de fúria. Um elogio da sua avó (se formos rigorosos, elogio de avó nem é unfo. Chega no máximo ao semi-unfo, mas não seremos rigorosos hoje).

 

Depois, o Biunfo. Aqui já temos algum tipo de glória, embora incipiente. Fulano biunfou na mesa de truco do bar, Beltrano pretende levar Sicrana ao cinema e, quem sabe, conseguir um beijinho biunfal. A essência do biunfo, como podemos ver, é não ser um triunfo. Chamemos então o biunfo de triunfinho. Às vezes, um feijão bem feito também é biunfal. (Como vocês podem notar, ando encafifado com feijão, mas vou deixar pra discutir isso com meu psicanalista. Afinal, ele é pago pra desvendar os problemas mais importantes da minha vida).

 

O Triunfo não precisa ser explicado, pois está no dicionário. Vejam lá: é  marco zero da nossa hermenêutica unfística. Mas, para manter o espírito da coisa, alguns exemplos grátis: a volta olímpica do campeão. O retorno dos astronautas. A sua tão esperada promoção pra chefe (de qualquer coisa, não importa). Acertar o bolão. Comer apresentadoras de televisão na praia, e o vídeo cair no Youtube. Tudo isso é triunfal. E o dia que eu fizer um feijão decente também será.

 

Agora, o mais que triunfal, o tetraunfal. Um golpe de estado bem sucedido é tetraunfal. Ganhar na megasena também. Passar a vida perambulando pela Europa com dinheiro público. Planejar e executar um filme desgraçado de bom. Quebrar todos os recordes a la Schumacker. Descobrir a fórmula do feijão perfeito. A lista é longa e já se percebe no tetraunfo certas fantasias... Porém realizáveis! Esta é a diferença entre o tetraunfo e o pentaunfo. O primeiro é viável, já o pentaunfo...

 

O tal do Pentaunfo. Reino do impossível. Entramos no mundo alucinatório dos megalomaníacos. Cabem aqui os delírios mais ambiciosos de qualquer mortal, entre eles, tornar-se imortal. Darei algumas dicas do que seria pentaunfal pra mim. Primeiro, elevar-me a condição divina, depois disparar raios pelos olhos e sucumbir à vaidade de ser idolatrado por um bando de manés. Isso é realmente pentaunfal. Ou então, roubar o Fort Knox, abocanhando bilhões de trilhões e, por tédio, comprar a França. Ainda mandaria um comunicado aos britânicos. Ou me elevam a Sir... ou a vingança nuclear por Waterloo! E nunca mais venderemos nossos vinhos e queijos pra vocês! Ingleses de merda com seus feijões brancos com gosto de tampinha de caneta Bic! E vamos trocar a água pútrida de Veneza por feijão, mas um feijão gostoso. Não essa joça que se encontra por aqui... Bom, já estou delirando e é melhor parar por aqui com estes pentaunfos.

 

Próximo textículo: Enigmas do Paio – Uma Visão Dialética-Perspectivista dos Embutidos na Cocção do Feijão.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Saudade é o nome que se dá quando estamos com a tal “melancolia rememorativa de algo que não possuímos mais”. Sendo assim, começarei a nomear coisas e eventos que não tem nome, e espero contribuir para a ampliação do léxico luso. Let´s go!

 

Ser forçado a conviver com a intimidade telefônica alheia, devido à proximidade das janelas ou paredes finas. Chamarei de Giselurro, em homenagem à estúpida da minha vizinha. Diabo de gente cretina.

 

Quando você olha pra uma mulher muito feia, apenas para avaliar as fissuras, fiordes e falésias da geologia facial do trabuco, e a mesma passa a achar que você está paquerando-a. Que nome dar? Acho Atúlia um bom nome. Atúlias são normais na minha vida.  Sempre me pego pensando assim: “se você é tão feia, deve ter puxado a feiúra do pai ou da mãe. Se foi do pai, sua mãe é realmente uma anta de ter se casado com ele. Se foi da mãe, seu pai é o maior comedor de dragões que existe. Ou então houve uma conurbação de feiosidades e o resultado é você. Seja como for, sinto muito, tudo não passou de atúlia minha e passar bem”.

 

Bêbado feliz corta as próprias unhas deixando inúmeras imperfeições. Pois acho que é coisa de Dipsugnitomista. Caso tome algumas, jamais dipsugnitomize as unhas dos outros, porque o risco dum acidente é enorme. Depois, além da ressaca, você vai ter de agüentar as acusações (todas infundadas) do dipsugnitomizado.

 

Acordar no meio da noite achando que está atrasado pra algum compromisso bobo. Roncolice é o nome disto. E quem muito roncolicar torna-se um roncolista.

 

Vai aos restaurantes mas nunca prova a maionese!? Ora bolas, tu és um misanmaionésico(a)! Se faz criaturas da substância e depois devora tudo, o senhor(a) é um(a) maionesantropofágico(a).

 

Caros coleguinhas, eis novas palavras e termos para as agruras cotidianas. Façam bom proveito.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



E aí? Quem responde o enigma tostines "todo pragmático é simplório ou todo simplório é pragmático?" De minha parte, nem uma coisa nem outra.

Desta maneira, mudo o assuto e improviso textículo... Bom, estou tomando remédio pra insônia. E ele nao funciona. Assim continuo acordado, lendo pilhas de livros (o tal Saul Bellow é realmente muito bom).

E passei a apreciar as coisas gastas. As solas dos meus sapatos velhos pisando o chão polido do centro da cidade. Há aquelas sarjetas de granito, tão limpinhas e brilhantes quanto uma bola de gude, ou um frango ao molho de gergelim. As facas dos restaurantes, por exemplo. Sempre confiro pra ver se estão devidamente gastas. Sinto-me mais confortável com estas facas que já rasgaram bilhões de bifes nesta vida. Já o bife nem reparo, pois é sempre novo.

Os livros da biblioteca, que antes eu odiava, agora me simpatizo. Todas aquelas mãos deixaram gordura amarelada de clássico da literatura. E o livro lido (Henderson, o rei da chuva) foi retirado da penúltima vez em 1984. Caraco. Peguei um Lovecraft de 1978... Como aquelas velhotas francesas cujo amante mais recente foi um soldado canadense que participou da invasão da Normandia. Lutemos contra os nazistas com seus panzers e obuses, mas comer uma velha? Isto é olimpicamente perigoso! Ninguém quer invandir a normandia destas senhoras. Só um louco. Ou outro velho.

A borda da mesa lá de casa. Está sem o verniz de tanto apoiar os cotovelos (estes também gastos). A fronha do travesseiro e a minha camiseta do Senna Bicampeão. O cadeado do portão. O balcão e as banquetas do bar do José Pudim. Meus óculos e olhos. Todas as escadas da galeria Bochino. O centrão de Sampaulo. As minhas opiniões, palpites e profecias.

Sei lá, mas dá um conforto estas coisas gastas. Ao menos faço parte deste processo. Desgastando o mundo. Pisando onde todos pisam pra que fique mais liso. Bater nas mesmas teclas, só pra envelhecer tudo...



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Ervilhas!

Apresentar-vos-lhes-te-ai-ei a grande Biblioteca Básica dos Ervilhômanos.

 

A Montanha Ervilha – Bildungsroman par excellence. Narra a história de Hans Ervilhorp num sanatório para ervilhas tuberculosas. Lá encontra e palestra com o pedagógico e maçônico Ervilhini, também o jesuíta e maluco Ervilhaphta. De lá sai para lutar na primeira guerra mundial das ervilhas.

 

Em Busca da Ervilha Perdida – Grande obra do século XX. Marcel Ervilhoust conta, descreve, tergiversa e especula sobre sua vida de ervilha doente da saúde e de ciúmes. Diz a lenda que a pessoa ervilha torna-se outra pessoa (ervilhamente falando) depois da leitura do livro.

 

Ervilhausto – Médico sabe-tudo, grande gênio da humanidade, a potência intelectual em pessoa, etc e tal, faz pacto com o grã-capeta para se tornar singela ervilha. Obra inspiradora do grande poeta alemão Johann Wolfgang von Ervilhoethe.

 

Ervilhulysses – Dublin faz seu debut no século XX, enquanto alguns personagens metade homéricos metade Shakespéricos ilustram desintegração, saber enciclopédico, mazelas diárias e outras chateações da vida de ervilhas modernas. Boatos que decreta o fim da literatura. Mas são só boatos.

 

Ervilholita – Jovem e sexualmente saborosa ervilha Dolores Ervilhaze é indecorosamente assediada (e comida) pelo professor de literatura e pedófilo Ervilhumbert Ervilhumbert. Sarcasmo em doses colossais. No cinema não funciona.

 

Assim Falou Ervilhotustra – Relâmpago da minha sabedoria, vaza-lhe as ervilhas! Escrito pela ervilha sifilítica Frederico Nietzsche. Sua obra teve trechos alterados para servir a ideologia Nazi-ervilhista. Expurgada destas “contribuições”, é hoje fundamental a qualquer ervilha levemente filosófica.

 

A Ervilhíada - Bela e volúvel Ervilhelena é raptada por Ervilháris. Disto nasce uma guerra. De ervilhas.  Aliás, o rapto nem está na Ervilhíada, mas cabe aqui como alerta ao leitor ervilha. A famosa parte em que os ervilhogregos constroem uma imensa Ervilha de madeira como arapuca para vencer os ervilhotroianos também não consta. Então sobre o que é o livro? Oras... ervilhas: o sábio Ervilhau, o valente Ervilheitor, o ardiloso Ervilhosseu, o furioso Ervilhaquiles, o aboiolado Ervilhátroclo... Por aí vai.

 

Dom Ervilhote – O romance as we know it. Uma ervilha lê tantos livros de ervilharia que torna-se (por loucura, digamos assim), o Engenhoso Fidalgo Dom Ervilhote de la Mancha. Arranja fiel escudeiro no simplório e pragmático (todo simplório é pragmático? Discutiremos isto no Simpósio das Ervilhas) Sancho Ervilhança. O fim me causa depressão, onde o ervilheiro desiludido desiste do ofício e volta a ser humano. Que tragédia!

 

Grande Sertão: Ervilhas – O único livro a ombrear com a obra de Ervilha de Assis (Memória Póstumas de Ervilhas Cubas). Epopéia sertaneja entre jagunços. Quase não chove, portanto as ervilhas são mirradas. Ervilhobaldo e Ervilhadorim caçam o diabo na pele do Ervilhógenes. Léxico riquíssimo, se você ainda não leu, além de otário, também não é uma ervilha.

 

Ervilhamlet – Tragédia tragédia tragédia. Tão vasto e cheio de interpretações que eu simplesmente renuncio ao comentário.

 

O Rei Ervilhear – Velho e gagá ervilha pergunta às filhas ervilhas qual o ama mais. A pobre Ervilhordélia é sincera, mas o rei Ervilhear entende-a mal. Sobram tramóias e no fim... bom... é uma tragédia.

 

A Ervilha Imaginária – Obra mais popular do teatro de Ervilhiére, e por conseqüência, do teatro francês. Sátira com ervilhas usando perucas.

 

Por júpiter! Fui improvisar um textículo básico e olha só onde fui me meter. Caro leitor, volte outro dia. Juro que me esforçarei mais na próxima vez. E sem ervilhas.

 

Sobraram alguns. Esperando por Ervilhot. O Mundo como Vontade e Ervilhação. Os Crimes da Rua Ervilha. Dom Ervilhurro. Crime e Ervilha. Alice no País das Ervilhas. A Ervilha e o Nada. Ervilha e Paz. Ervilha Cravo e Canela. A Crítica da Ervilha Pura. Madame Ervilhary. A Ervilha e o Negro. Os Ervilhíadas. Confissões de um Comedor de Ervilhas. O Jardim das Ervilheiras. O Grande Ervilhasby. O Jogo da Ervilhinha.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Tá, então escrevo só pra dar uma sobrevida a este blog zumbi.

Por que alimentamos a ilusão (bem idiota) de que amanhã seremos menos solitários do que hoje?

Engano enorme. Amanhã estaremos mais sós. Três meses depois, mais ainda. Daqui três anos, oceanos de solidão. No fim da vida, nao lembraremos nem mais nossos próprios nomes. 

Pronto.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Sem tempo pra escrever sem tempo pra escrever.

Por júpiter, botei o despertador no PM.

O Banco Central do Brasil gasta 0,06 de real pra fazer uma moeda de 0,01 de real.

Logo, seria bom vender moedas feitas pelo próprio BC ao próprio BC pela quantia exorbitante de 0,04 de real.

Outro dia eu lembro de trazer o disquete com textos novíssimos ma non troppo.

 



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Ótimo... Enquanto durmo, há uma moça que me visita todas as noites. Não sei quem é nem qual a cor preferida, se sabe desenhar ou se detesta o cheiro de verniz das minhas camisas. Chamarei de Dona Nada.

"Uma coisa ter nome não implica necessariamente que ela exista" por F. Balster

Sempre deixo um lado das unhas mal cortado. Ainda não nomenclaturei este hábito, embora exista.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Nada pra escrever... nada pra escrever... nada pra escrever...

Por júpiter!, perdi a minha sunga.

Odeio dizer tchau. Despedidas dão azar.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]