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E-Mail




 

Forneço, di grátis, uma cadela preta.

Atende pelo criativo nome de Pretinha.

Puro vira-lata simpático.

Bom cão, inteligente e alegre.

Porém, sofre de ansiedade e queda compulsiva de pêlos.

Já tomou todas as vacinas.

Interessado? Favor me mandar um emeiou.

Ou uma mortadela envenedada.

 

 

I give, for free, a black female dog.

Answers by the creative name of Little Black.

Pure sympathetic turn-can.

Good dog, smart and happy.

However, suffers of anxiety and compulsive hair falling.

It had already take all the shots.

Interested? Please send me an e-mail.

Or a poisoned large italian sausage.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Mãe é mãe! Vaca é vaca!... Você já pensou sobre "as mães"? Não só a sua, nem gostosa do 104, mas todas as mães do mundo?... Dar-lhe-ei cinco minutos pra você pensar sobre todas as mães (menos a minha), contando desde já...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Notou como a cultura ocidental trata bem as mães?... Ser mãe, gerar um filho, colocar pirralhos no mundo é algo de suma importância em nossa cultura "do lado de cá" do planeta... Dona Maria, mãe de Cristo, ficou prenhe por hipnose celestial e pariu o filho do Homem. Correm boatos de que ela nunca pecou. Se é verdade, azar dela, mas o fato relevante foi ela fundamentar a mítica da Mãe em nossa cultura. Não que ela seja a pioneira, mas ficou como a "mais mais". (No caso da Virgem Maria, nem adianta dizer "ô coitada".)

Se ninguém entende o que escrevo, normal... Eu mesmo não consigo desembaçar o que quero dizer. Em breves e imprecisas palavras, suspeito que nenhuma "profissão" goza de tantos privilégios como ser mãe. Tolera-se tudo numa mãe, e suas faltas são sempre vistas como uma tentativa de fazer o melhor para a prole e família... Há uma aura protegendo as mães, um véu encobrindo-as dos pecados e dos vícios humanos. E quando uma mãe adota um comportamento realmente desastroso, o público fica chocadíssimo. "Como pode?! Mãe de três filhos! Que horror!"

Vou confessar algo que sempre me intrigou. Freud inventou o Complexo de Édipo, baseando-se na conhecida tragédia grega Edipo Rei, de Sófocles. O complexo seria uma fase durante a infância do menino em que, amando tanto a mãe, sente impulso de matar o pai, seu concorrente direto, pra poder ficar com a ilustre genitora. Claro que tudo isso é metafórico, apesar dos psicanalistas insistirem no status de lei desta hipótese.

Agora o outro lado... Na história de Édipo, este termina "papando" a própria mãe, dona Jocasta, por infortúnio do destino. Nosso julgamento dos acontecimentos é todo centrado em Édipo... Ele quem mata o pai, ele quem se casa com a mãe, ele quem se pune pelo ato incestuoso e ele que se ferra.... Mas e Jocasta? Por que ninguém atribui alguma responsabilidade, ou culpa, à mãe? Por que não existe um Complexo de Jocasta, no qual a mãe, após parir seu filho, sente desejo inconsciente de dormir com sua própria cria, deixando o pai de lado?

Podem argumentar que "ah!, isso vai contra a natureza!"... Mas eu não aceito tal argumento. É natural o que é habitual. O costume de isentar as mães de falhas ou comportamentos duvidosos torna-se natural apenas porque o fazemos sem parar. Se em nossa cultura judaico-cristã ocidental (o rótulo não importa) as mães tivessem um pedestal menor, tudo seria diferente.

Talvez algumas mães sintam-se presas, de fato, ao mito em torno de suas imagens e ao papel que delas é esperado. Talvez gostem desta "benção" que é ser mãe... Enfim, caros coleguinhas, pensem nas mães. Um tema interessante e pouco explorado, principalmente quando não é a sua própria mãe.

P.S. Se o(a) senhor(a) ainda não leu Édipo Rei, eu não sei o que está esperando...



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Olho maior que a barriga

Se alguém me perguntar o que eu quero da vida, vou responder: "é.... hmmm.... que vida?"... Por isso, não me considero um cara ambicioso. Tem gente que acha isto muito ruim, uma falha enorme em meu caráter. Falta de ambição é quietismo, e no mundo competitivo de hoje, os não-ambiciosos não conseguem nada... Aliás, só conseguem ser fracassados.

Vejam a lista de coisas que eu quero fazer em 2004:

  • cancelar conta na Banca do Zé
  • fazer cartão de visita
  • fazer óculos escuros
  • comprar bicicleta e usá-la sempre, é claro
  • comprar aparelho de som pra tocar LP
  • ir no dentista
  • assinar a revista Bravo!

Bem, nem chegamos na metade de 2004, e só falta eu ir no dentista e fazer meus óculos escuros. Posso realmente não ser ambicioso, mas raramente fico frustrado... A vida é curta pra traçar grandes planos, e muito mais curta pra executá-los disciplinadamente.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Estou com muita preguiça, portanto, vou escrever um textículo bem pequeno. Pronto.

 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Leia com atenção e responda a pergunta.

Que eu saiba, é assim: outros insetos levam uma vida sossegada, e as formigas se matam de tanto trabalhar. Lei demonstrada em diversas fábulas infantis e histórinhas pra boi dormir. Vamos aos fatos.

Às sete horas da manhã eu acordo. Às 08:15, vou tomar café (fico uma hora na cama pensando no Suriname e na morte da bezerra). Pouco depois das 08:15, despejo café na minha xícara. Logo após, abro o açucareiro, onde encontro, invariavelmente, três formigas dormindo. Dormindo!

Como eu assisti Vida de Inseto, Formiguinhas, etc, nem perturbo as três formigas que dormem no meu açucareiro. Pego o conteúdo sem as acordar... e consigo sempre, pois elas dormem profundamente... Pulo no tempo.

Depois do almoço, volto a encher uma xícara de café, volto a pegar o açucareiro e volto a encontrar as mesmas três formigas dormindo dentro dele. De noite, a mesma coisa. No outro dia, igual... igual... igual... igual...

Tendo em vista os fatos descritos, qual alternativa está correta?

a) As três formigas do meu açucareiro eram muito boêmias, foram expulsas do formigueiro a que pertenciam, e agora elas vivem no meu açúcar, levando uma doce vida de luxúria, acídia e filosofia oriental.

b) As fábulas infantis estão erradas, pois as formigas são tão indolentes e inúteis quanto qualquer outro ser vivente que habita este planeta.

c) Meu açucareiro é tipo uma sauna de formiga, cuja lotação máxima é de três formigas por vez, e elas não passam mais de dez minutos ali dentro, além de ser proibida a entrada de formigas sem carteirinha e exame médico, conforme as regras afixadas no hall do formigueiro Würburg Hills.

d)  Em 11/04/1998, três formigas faleceram em meu açucareiro, devido a uma overdose de Açúcar Cristalizado União, e desde então seus corpos encontram-se mumificados (ou cristalizados). O relaxo, a falta de higiene, e o vício da especulação são evidentes em minha pobre pessoa humana, mas o fato de que assisti Vida de Inseto, Formiguinhas, etc, impede-me de ver a fria e dura realidade de que são cadáveres de formigas, e não formigas dorminhocas, ou indolentes, ou de plástico, ou budistas.

e) Não existem formigas. Não há açúcar dentro do meu açucareiro. Também não há açucareiro. Tudo é uma ilusão, conforme explicou o bispo Berkeley, que também não existiu, que também era uma ilusão. Aliás, este texto é fruto da sua mente, caro coleguinha, e não é preciso responder qual é a alternativa verdadeira, pois ela não existe. Nada existe. Vá dormir...



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Cof Cof

Tenho talento natural para engasgar. Verdade... Esgasgo muito bem, um dom... Agora mesmo estava rolando pelo chão, desesperado, relinchando de tanto tossir. Até peguei uma lista telefônica, pra dar pancadas nas minhas costas, e ver se desentalava. Ah, sim, eu engasguei com minha própria saliva.

Exige muita prática engasgar-se assim. Não é pra qualquer fulano. Um inexperiente pode morrer tentando engasgar-se da maneira que eu me engasgo. Por azar, sempre faço minhas performances engasgatórias quando estou sozinho, e o público não pode conferir o espetáculo que é. Se eu me engasgasse num shopping, teria de dar adeus ao anonimato. Seria manchete nos jornais, e se alguém filmasse, entraria pros "Videos Mais Emocionantes de Todos os Tempos"

Uma vez, por exemplo, engasguei-me durante uma luta do Mike Tyson. De repente, uma bolacha cream cracker saiu de rota e o engasgo surgiu de imediato... Foi antológico. Próximo de chegar a inconsciêcia, devido a falta de oxigenação, tive a brilhante idéia de pular de costas sobre uma mesinha de centro, que me ajudou a expelir a bolacha entalada no imo peito. Depois tomei uma aguinha, e voltei a ver o Mike, no dia em que ele comeu, mas não engasgou, a orelha do Hollyfield.

Qualquer dia, podemos marcar um engasgo-happening, num palco improvisando, onde poderei engasgar-me com um M&M´s, ou coisa parecida. Quem vê não esquece... Uma tosse de escarrar a alma, meus coices triunfais, o insano debater-se contra o chão, ou o uso de qualquer coisa disponível para dar tapinhas inúteis nas próprias costas. É um show.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Nova Idéia Nova

Quando os primeiros modelos do Ford T chegaram ao mercado, as pessoas diziam que aquilo era uma tremenda inutilidade, pois já haviam inventado o cavalo fazia tanto tempo...

Quando chegou o primeiro demo de um grupo musical chamado The Beatles, um executivo da Decca Records disse: "quartetos com guitarras estão fora de moda!"

Quando o disco Chega de Saudade chegou a Sampaulo, enviado pela matriz do Rio, outro executivo da Odeon (esses gênios da raça) disse: "ouçam a merda que o Rio nos manda!"... E quebrou o citado disco.

Por estes três exemplos, percebe-se que tipo de reação uma idéia nova pode sofrer... Não me surpreenderá completa desaprovação sobre algo que inventei, e que lançarei, com exclusividade, neste mesmo singelo e banal blog.

Sabe Sedex?... Vaspex?... Fedex?... Serviços de entrega de documentos e encomendas em super velocidade? Baseado nestas experiências de sucesso, eu criei o Lesmex, um serviço de entregas muito lento, lentíssimo, cujo logotipo é uma lesma de capacete correndo pelas estradas.

Não! Acalmem-se! Não é o que vocês estão pensando, caros coleguinhas! Parece muito idiota quando comparado aos serviços atuais. Mas lembre-se daqueles documentos que você precisa mandar para ser fiador do seu cunhado... Você quer realmente que este imbróglio resolva-se rapidamente? Ou quer postergar e demorar o maior tempo possível?

Lesmex é o que você precisa. Você envia a encomenda e recebe um papelzinho registrando o dia em que foi postada. Alguns dias depois, seu cunhado torna a te importunar, perguntando pela papelada, e você diz, com total honestidade, "mas eu já enviei!"... Após algumas semanas, seu cunhado ficará tão puto da vida que arranjará outro fiador, e graças ao Lesmex, você se livra de mais esta dor de cabeça.

Lesmex dá a desculpa, o álibi irrefutável de que o remetente agiu rápido e eficiente, mas o serviço de entregas empacou. E Lesmex empaca mesmo. Pode ser lerdo como uma tartaruga com labirintite, ou ainda mais devagar, como uma lesma paralítica com Alzheimer... Conforme a opção do cliente, uma encomenda pode empacar por meses, anos, décadas, séculos, períodos glaciais, eras geológicas...

Enfim, podem ofender esta idéia de Lesmex. Estou preparado, como um escravo estóico, às prováveis chibatadas da crítica. Porém, uma hora ou outra, tudo mundo estará numa situação em que só o Lesmex pode resolver.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Fui submetido a uma impiedosa entrevista, dou-lhes o trecho mais escandaloso de minhas explosivas declarações:

Nesta vida, o que você não tem?

Caixas de sapatos...

Por que não tem nenhuma caixa de sapatos?

Porque só tenho dois pares de sapatos, e não são novos.

Não tem sapatos novos?

Não. Tenho chinelos novos, cor de laranja, e tenho um par de sapatos pra sair, mas como não saio, não uso. E se não uso, continuam novos. Pura lógica...

E o outro par?

Sapatos de braçal, duram muitos anos, e dispensam a compra de novos sapatos. São perfeitos. Além disso, são vendidos em sacos, e não em caixas. E também gosto de meus sapatos velhos. Gosto de olhar pras solas deles e pensar por onde eu já pisei e divagar sobre as sujeiras grudadas na sola.

Filosoficamente, você se ressente de não ter nenhuma caixa de sapatos?

[bocejando] É... Não sei... Peço ajuda aos universitários... Mas por que um repórter fica me perguntando sobre caixas de sapatos? Por acaso você é gay?

Não... e você?

Também não...

Você gosta de amarelo?

Teoricamente não...

E na prática?

Desde que eu não o veja, não tenho nada contra...

Você cresceu embaixo de alguma torre de transmissão de energia?

Não senhor. Cresci dentro de uma caixa de sapato. Mas isto é assunto pessoal. Próxima pergunta...

A Frente da Reconstrução do Suriname colocou a sua cabeça a prêmio. O que você acha deste grupo radical?

Eles não existem! Só vocês idiotas da imprensa acreditam na existência do Suriname, e dessa Frente aí... São moleques da Guiana tentando me amedrontar! Mal sabem eles de que tenho provas irrefutáveis negando a existência do Suriname... E, se bobear, provo que as Guianas também não existem.. Você já viu algum esportista das Guianas nas olimpíadas?

Não, mas eu já passei férias em Panamaribo, e cobri o golpe que lá ocorreu. Isto não é uma boa prova de que o Suriname existe?

[Exaltado] Claro que não! Você estava sob efeito de alucinógenos em Roraima! Também posso provar isso! Basta me dar algum tempo!

Veja, estes meus sapatos são "made in Suriname". Como explica isto?

Você guardou a caixa destes sapatos? É lá que está a verdade...

Que verdade?

De que Mercator, famoso cartógrafo holandes, inventou o Suriname durante sua prisão em 1544, quando foi condenado por heresia. O Suriname é apenas uma vingança que ele criou contra a igreja, e que perdura até hoje!

Como assim "vingança"?Quer dizer que Mercator...

Peraí, peraí!... Você nunca leu Borges?

Alguma coisa...

Tsc, jornalistas... Pois então, o Suriname, na realidade, é uma diatribe cartográfica. Uma ficção com verniz de realidade... Concretamente, é mar, puro e simples mar. E não estou inventando estas coisas... Basta ler de trás pra frente tudo que vem escrito nas caixas de sapato "made in Suriname". São códigos para desvendar o enigma de Mercator... Tudo indica que a brincadeira começou em Avignon, quando...

Você está delirando, Nemo Non Plus Ultra!

Disseram o mesmo de Galileu, e dos maiores gênios da humanide... Como sou um gênio humilde, a tarefa de me comprovar será dada ao tempo... Não preciso perder meu tempo expondo o óbvio.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Ler é bom? É ruim? Ou é a meia-boca?


Uma vez, defendi a idéia de que desenhos animados e filmes violentos não influenciavam as crianças. E coloquei-me como exemplo, pois já recebi quantidade gigantesca de socos e tiros via TV, mas nunca cometi qualquer ato de violência gratuita.

Colocando-me novamente como matéria de especulação, declaro que ler não faz bem. Mas também não faz mal. Antes, vejamos a afirmação categórica de que "ler é bom".

Por que ler é bom? Ah, dizem que ler é bom porque deixa o indivíduo mais inteligente e com mecanismos críticos para avaliar o mundo a sua volta e seu papel na sociedade (que clichê...). Também é bom porque ele pode conhecer a trajetória de nossa cultura, avaliar as tradições e pensar nos caminhos futuros, tanto em sua vida interna, quanto nas relações entre os povos. Enfim, ler é bom porque abre novas portas (os alérgicos por clichês coçam-se freneticamente).

Esta é uma ótima resposta. Qualquer professorinha me daria um "A" por ter escrito isto. Mas professorinhas são criaturas sem peso dentro de um questionamento realmente importante. Além disso, sempre me senti ofendido de ser um bom aluno.

Paciência agora, meu caro coleguinha leitor, pois avaliarei a minha vida literária. Sem delongas, afirmo que já li pra cacete nesta minha vida. É fato. Quem duvidar, dirija-me um rigoroso questionário sobre literatura (de altíssimo nível por favor), ao meu e-mail, que terei o prazer de responder em tempo mínimo e com respostas invejáveis. Fora meus conhecimentos de artes plásticas, que não vem ao caso.

Mas será que ler muito é bom? Vejam só que coisa: eu não tenho nenhum diploma e nunca tive trabalho formal, de carteira assinada. Não transito na alta sociedade e nem tenho amigos influentes, ou melhor, nem tenho amigos. Cada dia que passo fico mais ranzinza, mais cínico e menos ético. Não tenho qualquer regra moral e se minha dor de cabeça continuar por mais alguns anos, provavelmente tornar-me-ei viciado em algum tipo de droga ilícita, ou lícita, não faz diferença...

Portanto, é válido dizer que ler faz bem? O "espírito crítico" não é justamente aquilo que todo bom cidadão deve renunciar? Desde quando um prazer solitário como a leitura trará benefícios para a sociedade, ou mesmo pra quem lê? Que tipo de mérito tem alguém que já leu Finnegans Wake?... Nos futuros mais pessimistas, a leitura é sempre crime, pois faz o indivíduo perder-se em si próprio, e descuidar de seus deveres de cidadão. Não senhor, ler não faz bem...

Digamos que a leitura tenha fermentado a minha inteligência... Onde é que vou aplicá-la? Tenho um trabalho semi-braçal, vivo sozinho e nunca terminei qualquer trabalho intelectual que eu mesmo tenha me imposto... Os últimos livros que li versavam sobre: a) um suposto rei é vegetariano, gay e psicótico, termina matando seu poeta preferido numa patética intriga; b) um viciado em ópio que conta suas experiências com parcialidade (a favor do ópio); e c) uma família em completa decadência, com suícidas, piranhas, alcoólatras, deficientes, escravos... enfim, uma história cheia de som e fúria, significando nada.

Livros assim não são exemplos de comportamento, ou moral. Não me incitam a ser melhor, nem ajudam na evolução da sociedade... Mas eu poderia ler livros que tenham boas intenções. Algumas pessoas fazem isto. Porém, boas intenções produzem péssima literatura, e eu não estou aqui para apreciar este tipo de porcaria. Quero boa literatura cheia de más intenções e torpes personagens.

Pode-se extrair do relatado que "não ler faz bem", que a ignorância é uma benção...Contudo, seria um raciocínio bem rasteiro e enganoso. Pegue qualquer pilantra que não saiba nem escrever "nietzsche", alguém que pense que esta palavra é o som de um espirro... Talvez ele tenha um carro novo, uma família saudável, sei lá... Mas não penso que ele seja melhor que eu, ou pior... Adiantando o final deste textículo, para felicidade do paciente coleguinha leitor, posso afirmar que, após ler muitos livros, não vejo diferença de valor entre uma pessoa e outra. No fundo, é tudo a mesma coisa (digo "coisa" pra não dizer um palavrão, que se ajustaria melhor, mas provocaria indignação nos chatos).



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]




Ô Loco! Faz quinze dias que estou trabalhando sem parar. Desse jeito, jamais serei eleito pra ser presidente da Confederação dos Preguiçosos. Mas não preciso me descabelar por fazer feio diante dos molengas: tenho muitas prestações do meu carro pra pagar... Mas isto não vem ao caso.

O mais importante é divulgar aqui coisas que eu odeio, assim vocês já ficam sabendo e adotam comportamentos que não me desagradam...

A primeira coisa que odeio é gente que explica demais. Trata-se daquele sujeito que, durante um papo solto, insiste em explicar todas as variantes, detalhes, prós e contras sobre determinado assunto. Por meia hora, o cara fica lá falando, explicando, exemplificando. Putz!. Isso é horrível. Quando uma pessoa leva mais de 45 segundos pra explicar algo, eu já começo a divagar e pensar em outros assuntos. Quanto mais o cara explica, mais eu viajo na maionese. Deu pra enteder? Se não deu, então leia novamente este parágrafo, porque eu não vou explicar mais.

Outra coisa que eu odeio é... hmmm... Esqueci... outra hora eu escrevo...

Não não! Acabei de lembrar. Odeio conselhos, como aqueles que listei aqui outro dia. Dá vontade de mandar o nego tomar no meio do [piii]. “Por que você não faz uma faculdade? Você precisa fazer uma blá blá blá”... “Por que você não arranja uma namorada? Você precisa arranjar uma blá blá blá”.

Agora, nada mais detestável que nego que vem me dar conselho, e ainda fica meia hora explicando por que eu deveria fazer o que ele diz... Típica postura de um dogmático, um jesuíta, um pedagogo dos infernos.... É incrivel como as pessoas dão motivo para serem espancadas, e não percebem o risco que correm.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Sabe o que precisa, caro coleguinha?

 

  1. Você precisa tomar banho.
  2. Você precisa comer fibras.
  3. Você precisa visitar regularmente seu dentista.
  4. Você precisa fazer novos amigos.
  5. Você precisa manter amigos antigos.
  6. Você precisa cortar as unhas.
  7. Você precisa fazer exercícios.
  8. Você precisa ler os clássicos.
  9. Você precisa arranjar um novo amor
  10. Caso você já tenha um amor, você precisa se casar com ele(a).
  11. Caso você já tenha casado com seu amor, você precisa manter "a chama acesa".
  12. Caso você já seja divorciado(a) ou viúvo(a), você precisa voltar a opção 9.
  13. Você precisa votar conscientemente.
  14. Você precisa usar roupas íntimas (cueca, calcinha, etc).
  15. Você precisa pagar impostos.
  16. Você precisa ajudar os pobres.
  17. Você precisa ser feliz.
  18. Você precisa separar o lixo reciclável.
  19. Você precisa trabalhar.
  20. Você precisa ler jornais e revistas.
  21. Você precisa ser gentil com o próximo.
  22. Você precisa estacionar o carro corretamente.
  23. Você precisa guardar documentos importantes.
  24. Você precisa molhar as plantas.
  25. Você precisa ser organizado.
  26. Você precisa ter uma vida social.
  27. Você precisa matar as baratas.
  28. Você precisa saber alguns ditados populares.
  29. Você precisa ser divertido com as crianças.
  30. Você precisa se integrar na comunidade.
  31. Você precisa comer verduras e legumes.
  32. Você precisa pentear seu cabelo.
  33. Você precisa dormir de 08 a 10 horas por noite.
  34. Você precisa dormir deitado.
  35. Você precisa ser moderno e atualizado.
  36. Você precisa usar roupas limpas.
  37. Você precisa beber com moderação.
  38. Você precisa manter a calma.
  39. Você precisa ver programas educativos.
  40. Você precisa escovar os dentes.
  41. Você precisa tomar remédio quando ficar doente.
  42. Você precisa obedecer o(s) seu(s) chefe(s).
  43. Você precisa viajar pelo mundo.
  44. Você precisa preservar a natureza.

 Apenas não faça o que você quer fazer, pois isto é desnecessário.



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]



Nada pior que um vício. Destrói lares, ferra com a família, consome o suado dinheiro, torna o indivíduo apático, maníaco, depressivo, tedioso, intratável, chapado, fracassado, escroto... Cheguei na casa do meu tio e percebi tudo isso. Mas ainda não sabia que era um vício. Ou melhor, O Vício... Era apenas algo no ar, um miasma de podridão que, no primeiro momento, eu não consegui interpretar ...

Lá estava meu tio, doutorado em termodinâmica, sujeito culto e generoso, leitor de Wittgenstein... Ele estava cinza quando o encontrei... E muito estranho, um comportamento dissimulado. Não perguntei nada pois sou educado. Mas quando abri a geladeira, pra pegar água gelada, percebi tudo e contemplei toda a decadência de um ser humano. A geladeira tinha muitas latas de Kronenbier! Sim, caros coleguinhas, a infame cerveja sem álcool!... E meu tio, meu honrado tio, estava praticando o torpe vício da Abstinência Alcoólica!!! Que horrível!!!

Não há coisa pior. A abstinência, além de deixar o indivíduo plenamente sóbrio, transforma o cérebro numa zona árida, sem criatividade, isenta de diálogos fluídos ou idéias interessantes. O sujeito, quando não toma as doses necessárias de álcool, fica a mercê da moralidade e dos bons costumes, esses grandes vilões da vida contemporânea.

Mas os piores efeitos da abstinência ocorrem na percepção/cognição. O cara sóbrio olha para uma cadeira e vê uma... cadeira! O puro e simples fato, sem desvios, sem inovação, sem originalidade... E isso é indesejável para a maioria das pessoas, porém, torna-se inadmissível para alguém culto e inteligente como meu tio!

Mas vocês não precisam se preocupar com meu tio. Na sexta-feira ele estava há quatro meses sem beber. Totalmente cinza, apático e desinteressante... Mas graças a minha misericordiosa presença, no sábado a noite já estavamos apreciando cervejas belgas, com álcool, é claro!

Sou ou não sou um santo? Depois que eu relato aqui todas as minhas virtudes, ainda tem gente que se recusa a perceber isso. Gente sóbria, obviamente... Esses malditos abstêmios. Ainda vão destruir o mundo com esse desgraçado vício de não ingerir álcool. Eu consegui salvar o meu tio, mas quantos, dia após dia, não são perdidos para a horda dos sóbrios? Quantos não trocam a álcool pela água, pelo suco, pelo leite desnatado?!? Deus do Céu, onde é que este mundo vai parar???



 Escrito pelo desalmado Felipe Balster [ ]