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Ganhei uma escova de dentes elétrica. Não sei bem para que serve. Desconfio que é pra escovar os dentes. Só usei uma vez, e mesmo assim tive que tomar muita coragem e meia garrafa de um vinho chinfrim. Assustador. Tu enfia aquele treco na boca e uéééééé!... Melhor deixar guardado e sei lá... Talvez repassar o objeto para alguma ninfomaníaca...
Ganhei um Bob Esponja, que é uma esponja. Serve pra tomar banho. Ainda não usei, apesar de já ter tomado alguns banhos desde que o objeto caiu-me nas mãos. Achei mais divertido ver o filme da criatura. Inclusive porque o final com referências a Twisted Sister, Deep Purple e David Lee Roth é incompreensível para quase a total população de mamães e filhinhos da sala de cinema. Acho que só eu ri, além duma mãe gostosa e cheia de tatuagens.
Ganhei dois sabonetes. Tal quantidade de presentes de "higiene" fez-me considerar a hipótese de que minha família me acha um sujo. Hipótese esta não muito hipotética. Tudo isso apenas porque eu esqueço de tomar banho às vezes. Injustiça... Que seja. Ainda não usei este presente também.
Ganhei um caleidoscópio muito doido. E estou usando todas as noites. Aponto-o para o meu abajur pouco doido e fico vendo aqueles bagulhos muito doidos. Ao que tudo indica, este presente não me foi dado por me acharem um porco.
Ganhei uma taça de martini muito fina e elegante. O melhor presente deste natal. Claro que eu mesmo comprei e dei-me numa cerimônia discreta na garagem de casa. Mas ainda não usei. Falta-me um bom vermouth. E sem um bom vermouth, meu caro coleguinha, não há dry martini que se preze. Fica um treco impotável. Quem quiser me dar um Noilly Prat...
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Voltei. Estou róseo. Isso na frente, pois nas costas continuo branquelo. Que culpa tenho se o Sol só ficava na minha frente? Não importa. Daqui um tempo retornarei a branquelosidade natural.
E quando voltei, um baita cheirão de podre na cozinha. É que eu esqueci de pagar uma conta de luz de outubro. Aí os filhos da puta da CPFL cortaram a energia um dia após meu início de viagem. Camarões, sorvete, arenque defumado, cerveja choca e uma carne indistinta me esparavam. Tudo já bem em "avançado estado de decomposição". Lazarentos. Morféticos.
É a vida... outrora escrevo algo mais ilustrativo. Algo como "A Invasão dos Obesos aos Balneários de Verão".
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Ouça a brisa marinha, escute o som do mar refrescando meus sovacos cansados...
A praia, além de confundir os sentidos, desestimula o intelecto. Que seja... Dedico este textículo ao Ronaldinho dos Pampas. Sou muito fã deste cara. Aliás, é o único sujeito vivo que dou algum crédito. Todos os outros estão mortos, ou deveriam estar, como o Edson Arantes do Nascimento. E o Maradona.
Fiquei bem feliz ao saber que o pequeno Ronaldo dos Pampas ganhou o Melhor do Mundo em 2004. Acertaram na mão ao dar o prêmio pro brasileiro. Se houve melhor-melhor, não sei... Este ano, Ronaldinho dos pampas foi o the best. Irrefutavelmente.
De cor, só lhe tenho o gol contra a Inglaterra, na copa de 2002. É o que me basta. Todo mundo que manja do futebinha sabia: pra ser penta, só ganhando da Inglaterra. Lá foi o pequeno Ronaldo, duma falta marcada distante do gol, pra resolver a petica anglo-saxônica. Claro que o goleiro inglês esparava o chuveirinho (cruzamento na área pra cabeceio do atacante). Todo goleiro inglês espera o chuveirinho. O cara só pode ser goleiro inglês se esperar o chuveirinho. O messias é um pangaré para o goal keeper das inglaterras: a única profecia do goleiro inglês é o chuveirinho na área. God save o chuveirinho!
Pois bem. O pequeno Ronaldo dos Pampas é um herege. Detesta o chuveirinho. Acha a fé no chuveirinho espúria e asquerosa. Meteu a bola direto pro gol. Que redundou em gol. E gol é gol. Mais vale um gol na ficha do que dois chuveirinhos voando pra grande área. Brasil penta.
O Robinho pode ser driblador quanto quiser. O Ronaldo fenomenológico pode fenomenizar quanto quiser... Inteligência que é bom, só o Ronaldo dos Pampas tem. Agora com licença que preciso tomar umas (estou de férias).
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Informação útil
Miojo causa depressão. Claro que nenhum grupo de pesquisadores descobriu isso ainda, mas como eu sou muito inteligente, já constatei o fato por minha conta. Se tu és um desses comedores de miojo com manteiga, cuidado. Aconselho-te a fazer o seguinte: pegue a manteiga que colocaria em cima do miojo e despeja-a numa frigideira. Corte dois dentes de alho (se na tua casa não tem alho, cometa o suicídio) e frite na manteiga até que fiquem "aloirados".
A medicina atual condena este tipo de coisa. Não pode fritar nada na manteiga. Mas foda-se. Seguir os preceitos da medicina atual também causa depressão. Desta maneira que descrevi, os efeitos depressivos do miojo caem pra zero. Aí acompanha uma pilsen básica, Lou Monte cantando Lazy Mary pros chefões da máfia and life ain´t that bad...
Se a margarina é sua opção, feche este blog e nunca mais volte aqui. Margarina é coisa de otário. Nenhum grande gênio da humanidade comia margarina. Logo, é uma iguaria alimentícia feita por idiotas e destinada a idiotas.
Informação Inútil
Alguns pernilongos têm a antena peluda. Heim?... Pura verdade. Alguns pernilongos têm antenas peludas, assim como o "têm" tem acento quando o sujeito está no plural. Coisas da vida... Pois então, esses de antena peluda são os pernilongos machos, portanto, não lhe picarão durante o inocente sono.
Mas, caso cruze com qualquer pernilongo flutuando pelos sacrossantos aposentos, seria bom matar antes de verificar se a antena é peluda ou não. Basta agir como o Charles Bronson que a maioria dos problemas desta vida estão resolvidos... Fácil fácil...
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Como sou prudente, farei o Necrológio do cachorro que ainda não morreu. Mas morrerá. E quando isto acontecer, não serei surpreendido pelas exigências burocráticas de um enterro cristão, o que me faria escrever um necrológio meia-boca prum cachorro tão eficaz como a Pretinha. Seria injusto, imprudente, estúpido... Mas já disse que sou prudente e vamos lá.
Aqui estamos reunidos para o enterro cristão da Pretinha, nosso amado vira-lata escuro. Pretinha tinha um nome mais nobre do que este usado habitualmente. Seu verdadeiro nome era Aila. Mas nunca a chamamos assim. Nome deveras distante do que ela era: muito preta. Logo, sem sentido. Não existia razão para chamar uma cadela preta de Aila... Era a Pretinha e pronto. Uma vez, até pensei em trocar seu nome para Bianca. Seria um bom nome, mas muito humano. E não suporto nome humano em cães.
Mas que são os nomes? O que define Aila, Pretinha ou Bianca como nomes humanos ou caninos? Presumo que apenas o hábito. E é o hábito que coordena todas as nossas vidas. Se chamamos fulano de Pedro ou Ventoinha, se dormimos deitados, se usamos taças retas pra bebericar Dry Martini. Tudo é habito nesta vida, principalmente no que se refere aos nomes e às palavras. Nada há de fundamental. Nada é certo e imutável. Nada resiste às areias do tempo. Exceto que vamos todos morrer. Assim como a Pretinha. Que morreu como tantos outros cães pretos deste planeta.
A maior virtude da Pretinha, aquilo cuja memória sempre evocará, era sua capacidade de sumir no escuro. Preta como raramente vi, ela mesclava-se na escuridão. Era praticamente um cachorro ninja, exceto que não atirava estrelas pontudas nem tinha uma espada. Aliás, jamais vi a pretinha lutando. Nem treinando. Talvez meditasse no capacho da lavanderia. Contudo, apenas meditar não qualifica alguém pra ser ninja. Mesmo que esse alguém seja um cachorro deveras negro.
Sua atividade preferida era se coçar. E coçou-se muito. Podemos acusá-la de negligência durante as suas coçadas, visto que se descuidava da segurança do nosso quintal amarelo? Não seria justo... Todos os seres humanos, inclusive os caninos, merecem se coçar, e a Pretinha coçou-se muito bem. Perdoemos os que se coçam, assim como devemos perdoar os inimigos de Cristo.
Agora, nosso quintal amarelo já não mais possui aquela mancha negra. Estamos desprotegidos, porém livres dos pêlos pretos dela... Neste momento, a Pretinha solta seus tufos negros de queratina lá no Céu dos Cachorros Escuros, onde habitam faz tempo o vira-lata Apolo, o pastor alemão Max von Sydow e também o Cafezinho... O Cafezinho não! Este poodle escuro era um diabo. Suspeito que voltou para as profundezas do inferno. Deve estar latindo na orelha das almas que judiaram dos cães. Que seja! Não é do meu arbítrio os destino das almas caninas... ou humanas.
Não me alongarei mais. Palavras não trarão a Pretinha de volta. A não ser que este barranco que lhe serve de destino final seja uma filial do Pet Sematary dos Ramones... Seria muito azar... Mas eu nem sei as frases mágicas. Não importa. É necessário variar de cachorro de vez em quando.
Agradeço a presença dos amados parentes e dos representantes eclesiásticos aqui reunidos. Agradeço também o apoio dado pela Sociedade Latino Americana de Cachorros Pretos. Nesta hora triste, todo compaixão é bem vinda. Enfim, amigos, guardemos a Pretinha em nossa memória e em nossos corações. Que Deus, em sua suprema sabedoria, ouça nossas preces e abençoe sua alma canina. Boa noite eterna, Pretinha.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Homem Aranha
Volta e meia, alguém se surpreende com o fato d´eu não gostar do Homem Aranha. (Na realdidade, isto nunca aconteceu, mas uso tal expressão apenas pra começar o textículo.) Não gosto mesmo, não tolero, acho-o um otário desprezível. Também não vi os filmes, o gibi nem o papel higiênico do herói. E tudo isto por um motivo simples. Já vi aranhas no Discovery Channel e no quintal. Todas elas soltavam teia pela bunda. Não há registro de aranha que solte teias por outros lugares. É um fato irrefutável.
Já o Homem Aranha expele teia pelos pulsos. Ora, isso é absurdo e incoerente. Ofende minha inteligência, além de desrespeitar os aracnídeos em geral. Como pôde o criador do personagem esquecer deste detalhe fundamental?
Não sei. De todo modo, só simpatizarei com o Homem Aranha quando ele arriar as cuecas quando quiser lançar-se de um prédio a outro. Enquanto isto não acontecer, mantenho-me fiel às papa-moscas e rogo pragas contra o herói.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Bons Negócios para 2005
Já Morreu Compra – Vende – Troca - Comércio de Caixões Usados e Reforma de Lápides. Durante muito tempo caixões belíssimos apodreceram em baixo da terra. Um desperdício absurdo! Mas agora estes tempos acabaram! Graças à mania da ecologia e da reciclagem, a Já Morreu recupera caixões usados e revende por preços muito atraentes. Seja um franqueado deste revolucionário empreendimento!
Mickey House – Hotel para Hamster. Vai coletar ervilhas selvagens nos miolos da África e não sabe com quem deixar seu hamster de estimação? Ligue pra Mickey House e deixe seu ratinho em boas mãos! As instalações da empresa estão repletas de saudáveis e divertidas atividades para o seu hamster. Piscinas com tobogã, roda pra correr, gangorras de palito de sorvete, destruição de meias, esconde-esconde na secadora de roupas. Seu rato vai adorar!
Xiii marquinhos! Você está tomando banho no meio de um monte de marmanjos e o sabonete caiu no chão? Sem pânico! Ligue pra SoapSaver e fique tranqüilo. A empresa possui equipes especializadas em pegar sabonetes do chão e devolvê-los aos seus donos com rapidez e segurança. E mais: através de um moderno sistema de higienização, o seu sabonete voltará as suas mãos sem qualquer pêlo impertinente ou sujeirinha comprometedora. Diga adeus ao tempo de se abaixar pra pegar sabonete! SoapSaver: quanto mais abaixa, mais mostra a eficiência.
(O dono deste blog não se responsabiliza por possíveis danos e/ou prejuízos)
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Nego só reclama porque nunca foi chinelo de gordo. Isto sim é sofrimento. De resto, estou com preguiça de escrever e preciso muito dar um refill no meu Chave de Fenda (suco de laranja, gelo e doze segundos de vodca). Adotei tal receita pois o limão teima em não se desvalorizar... Falou aí.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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