| |
Rio sozinho.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Estou com sorte. Não me convidaram pro Fórum Social Mundial. Mó coisa de
pobre...
Mas foi azar não receber nenhum convite pro Fórum Econômico Mundial...
Resultado: vou na cozinha comer uma bruschetta.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Novembro passado fiz uma enorme arrumação em meus pertences. Separei um monte de revistas velhas, panfletos, papeladas inúteis, contas lá de 1994... A vasta tranqueirada ia pro lixo reciclável. Mas resolvi eu mesmo levar tudo até o "lugar comprador de papel".
A iniciativa rendeu-me dez paus por 49,8 kg de papel. Achei o ato lucrativo e resolvi que todo papel que eu jogaria no lixo, daquele dia em diante, iria prum canto da oficina até o dia de voltar ao "lugar comprador de papel". Mas achei: "humm, vai levar alguns anos pra juntar mais 50 kg de papel"... Erradus errandum errundum.
Hoje, final de janeiro, já armazenei uma pilha bem compactada de 1,40 cm de altura. E de papel. É impressionante a quantidade que consumimos o citado material. Pra formar esta pilha, não sai catando papel por aí. Apenas guardei a papelada que antes eu atirava no lixo. Agora, vou deixar a pilha crescer mais um pouco e logo levarei até o "lugar comprador de papel". Gosto de receber dinheiro por algo que não me pede trabalho em troca.
Mas confesso essas peripécias apenas pra divulgar uma boa idéia que me ocorreu. O seguinte. Cadastrar-me-ei em todas as malas diretas existentes neste planeta. Quero receber do boletim mensal da Associação das Manicures de Itupeva até o panfleto comercial da Cooperativa de Açougues do Botsuana... A intenção disto é simples: receber papel em casa, sem custo algum, e depois levar tudo até o "lugar comprador de papel".
O truque de tal empreendimento consiste em receber a commodity Celulose em casa sem gastar nada por isso. O responsável pela mala-direta paga o papel e o envio até minha casa. O correio me entrega. Eu acumulo o papel até o dia que levo para o abate. Com o dinheiro recebido – e aqui mora o lance expert da coisa – eu comprarei ações das empresas de Celulose... Klabin, VCP, Suzano, Ripasa, o que for... E pimba! Crio um "círculo dinheiroso", um moto-contínuo lucrativo, uma oportunidade de ganhar bufunfa limpa. E o melhor de tudo: sem trabalhar.
O máximo de investimento que preciso fazer é: a) responder "sim, eu quero receber mais informações sobre os produtos/serviços da empresa X"; e b) comprar uma caixa de correspondência que suporte alguns quilos de papel. Creio que uma lata de tinta usada sirva perfeitamente. Alternativa esta que me isenta de gastar com caixas de correio. São caras e invariavelmente cafonas. Vai lata mesmo. Ainda vou escrever nela: eu adoro propaganda das casas Bahia.
São gordas e folhudas.
Pensei nisto depois que decidi ficar rico até 2008.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Senhor Felipe, minha namorada faz cara de peixe morto durante o coito. Que devo fazer? Raul Barbosa, o pardal de Huia. (operador de telemarketing)
Caro coleguinha Barbosa... Repare bem nos olhos do peixe morto. Eles devem estar bem brilhantes, transparentes e salientes. Olhos turvos e afundados demonstram que sua namorada não está fresca. Provavelmente foi conservada numa temperatura inadequada. Evite o nhec-nhec. Mas se os olhos estão brilhantes, transparentes e salientes, manda bala. Na grelha, no espeto ou na chapa, tanto faz... Talvez ela faça este tipo de cara por acreditar nalgum princípio filosófico obscuro. Mas isso é problema dela e o senhor nada tem a ver com isso.
Senhor Felipe, meu marido só quer saber de sexo virtual. Isto está me deixando deprimida. E mal comida. Será que devo comprar mais um computador pra ver se esquentamos a relação? Christiane F. (miss Baterias Delco 1984)
Não, dona F., computador é coisa de nerde. Eu acho que a senhora deve comprar um iô-iô, treinar truques esquisitos por seis horas/dia. E depois ganhar algum campeonato mundial na categoria Esposa Frustrada. Ou então use drogas injetáveis, que são muito legais...
Senhor Felipe, tenho um filho de 14 anos. Ele era muito inocente e brincalhão. Mas agora percebi que ele bebe Fanta Uva todos os dias. Estou arrasado. Será que ele é gay? Dionísio Baco, o sóbrio. (tycoon do setor da água mineral)
Sim. É gay pra cacete. O senhor deve proibir esta pouca vergonha de todos os modos possíveis. Surre-o com sarrafo de peroba. Reprima tudo que tiver a cor roxa, ou vagamente purpúrea. Contrate um detetive especialista em filhos viadinhos beberrões de Fanta Uva. Faça com que este moleque arrependa-se de tomar refrescorante tão bisonho. Graças aos pais moderninhos e otários que ainda existe Fanta Uva no mundo. Não permita tamanha perversidade sexual! Se o moleque insistir, interne-o numa clínica pra desintoxicação de Fanta Uva lá no Acre. É tiro e queda. Pode ser que ainda volte bicha, mas pelo menos ele nunca mais tomará Fanta Uva.... Já é grande avanço.
Senhor Felipe, descobri que minha esposa tem planos maquiavélicos pra se tornar obesa. Como o senhor explica isto? Gislowilson Boitatá (taxista judeu).
Hmmm... Talvez ela queira livrar-se do senhor. Pretende adquirir 300 quilos a mais para cometer um crime hediondo: esmagá-lo durante o ato sexual. Já examinei vários cadáveres produzidos por tal ocorrência. Não poupo termos como nefasta, vabaga e meretriz diante de vossa esposa... Creio que o senhor deve engordar também, assim o peso da sua amada donzela não lhe causará grandes danos. Ou então, mande esta biscate pré-beluga pastar noutras praias.
Mande suas dúvidas afetivas, sexuais, conjugais e outras baboseiras da vida a dois! Graças ao meu grande domínio nesta área, responderei com sabedoria, sensatez e muita, mas muita seriedade. (Custo de cada dúvida = US$ 3.048,00).
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Sempre a mesma história
Não os vejo, mas sei que estão por perto. Bem aqui. Ouço com incômoda clareza seus zumbidos irritantes, e não consigo dormir. Retornei agora de um sono com sonhos estranhos causado por estas criaturas. Mas não consigo saber onde estão. Já olhei, com olhos acostumados as trevas, atrás das cortinas e embaixo da cama; até nos quadros procurei, pra saber se estavam se escondendo em pinturas confusas. E nada. É como o Corvo do Poe, só que sem o corvo, e o "never more" trocado por zumbidos de pernilongos. Oito no mínimo.
Não há modo de dormir. Mas onde estão? Será que os tapetes começaram a cantar "a pernilonguesca"? Ou o demônio – não creio em fantasma -, faz todo o quarto vibrar numa freqüência semelhante aos mosquitos? Angustia-me este tipo de situação. Seria o vento a assobiar a mesma melodia de uma nota só? Até dentro dos livros procuro pelos insetos para, depois de alguns minutos, recordar que só desejam meu sangue.
Eu só desejo silêncio pra dormir, então abdico do sangue. Recorro aflito aos meus tampões de ouvido. Talvez no silêncio eu durma, e abençoado seja o silêncio. Bebam todo meu sangue... Atarraxo os trecos nas orelhas, mas a aguda sinfonia continua sem intervalo. Sou obrigado a aceitar a verdade que mais me preocupava: meu cérebro quem zumbe, chia, racha e range. Alguma coisa que comi, penso idiota, para logo minha imaginação considerar a hipótese de punição divina por crimes que ignoro.
Há pernilongos dentro da minha cabeça, e assim surge a dúvida de como silenciá-los e de como lá entraram. Vai ver enquanto eu dormia, pelo nariz... Não importa mais! Restam-me poucas horas de sono e pretendo usá-las dormindo. Mas e se os pernilongos pretendem chupar o sangue dos meus pensamentos? Tal idéia assusta-me. Não dou valor ao sangue dos pés, porém tenho enorme estima pelo sangue das idéias, pois elas são anêmicas e coitadinhas. Se lhes secarem o pouco sangue existente, minha consciência cairá inerte e não serei capaz de imaginar que a única saída será tomar uns goles de veneno sem gelo. Corro para a garagem, sorvo uns tragos da substância enquanto ilumina-me um futuro de sono tranqüilo. Antes de deitar novamente, lembro das explicações que Hamlet passa a Horácio e o resto é silêncio.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Hmmm... eu poderia escrever sobre meus filmes preferidos... Talvez poderia opinar sobre o Big Brother, mas nunca vi e nem tenho saco pra ver... Se vocês querem que eu lhes diga porque sempre tenho aftas, vão ficar na vontade. Não sei porque elas aparecem, então não posso afirmar nada. Talvez tenha alguma ligação com a cor das paredes, sei lá.
Hoje fui trabalhar numa fábrica de chocolates. Foi legal... tinha uma maquina que fazia uma cascata de bolinhas de chocolate. O dono da parada me disse, "se quiser, só pegar"... mas, como sou educado, recusei dizendo "obrigado, eu acabei de escovar os dentes e estou com aquele gostão de pasta na boca". Pura mentira. É que dificilmente eu me contentaria com só um uns punhados. Deixa queito.
Pois é, caro coleguinha. Nem tenho o que dizer... acho que vou roer minhas unhas agora. Passar bem.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Se Jesus fosse um prego, Buda seria um parafuso?
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
O caro coleguinha Ronaldo pediu, então fiz o possível (nem tanto) pra encontrar e republicar o textículo abaixo. Na realidade, continuo com preguiça de batucar algo novo no teclado. Entonces:
Dormir é meu passatempo predileto. Porém, algumas noites são impróprias para esta minha atividade. Ontem foi um dia destes, onde tudo conspirava contra o meu sono. Vou contar o que aconteceu, sem omitir nenhum detalhe nem faltar com a verdade.
Deitei. Llogo em seguida, uma irritante coceira me atacou, bem no meio das costas, no ponto onde meus dois únicos braços não alcançam, mesmo com contorcionismos surpreendentes. Tive de pegar o volume "XI – Grupo Inquis" da enciclopédia para conseguir algum alívio. Mesmo assim, volta e meia a coceira ressurgia das profundezeas de minha epiderme. E não passava, coisa terrível. Coceira metódica e incansável... sem trégua.
Depois, persuadindo-me de que eu era um Zenão de Citium paraguaio (no sentido estóico, mas Zenão de Eléia não fica muito de fora...), suportei imóvel as investidas desta coceira impertinente... Nesse interim, eis que iiiiiiiiiiiiiiiiiii........ Pernilongo!... Por Júpiter tonitruante!!!
Já que estava imóvel por causa da coceira, decidi me cobrir e negar os fatos da realidade. Quando se é preguiçoso, esquecer a realidade é sempre mais fácil, embora seja necessário alguma disciplina intelectual para negar tudo o que existe e viver no mundo das idéias...
Mas, vejam só, eu não tinha preparado minha cama para uma noite de calor tórrido e calcinante. Ainda estava com meu arsenal de inverno: 01 lençol de flanela, 01 edredon e 01 cobertor do exército de pura lã... Lã verde.... Suando e com coceira crônica nas costas, tive de renunciar à imobilidade, renunciar à cama, renunciar ao idealismo... e colocar um protector na tomada.
No momento em que me deito novamente, um sapo começa a cantarolar no quintal do vizinho. Roeeebit... Roeeebit... Roeeebit... Mierda... Shit... Maluf! Parecia que tudo fora combinado de antemão: "vamos atrapalhar o sono do Sr. Non Plus Ultra, hihihi!" Vontade de invadir a propriedade alheia e esganar o maldito batráquio... Esganar e chutar... Mas não acabou ainda, pois havia mais coisa pra me atazanar....
De repente, uma barulheira no telhado de casa. Eu pensei: "beleza!, é um ladrão, e ladrões trabalham em silêncio. Isso não vai me incomodar em nada". Mas, infelizmente, não era um gatuno, mas sim um gato, do tipo felino doméstico. E esta criatura infeliz começou a pronunciar seus sons diabólicos, típicos de gatos que estão no cio. Ou com diárreia.... Estava concluída a tortura noturna.
Que fazer numa situação destas? Como solucionar todos estes problemas que só me tiravam a felicidade de dormir?... Havia um protetor auditivo dentro do meu armário, mas estava no meio da bagunça, e eu levaria horas para encontrar... Além disso, o protetor não me curaria da coceira, nem do pernilongo, que queria bebericar, a todo custo, meu estimado sangue... Meu sangue!... Não posso permitir que chupem meu sangue impunemente...
Pensei por um bom tempo, e notei que dos quatro problemas existentes (a saber: 1) coceira, 2) pernilongo sedento, 3) sapo cantor e 4) gato uivante), um era a solução do outro...Sim! Um problema resolveria o outro problema, bastava associar as coisas corretamente. Foi o que eu fiz...
Desci até o quintal do vizinho e capturei o sapo, sem atentar contra a integridade física do mesmo. Trouxe-o até o meu quarto, deitei-me normalmente na cama e, com as minhas duas mãos, fiquei segurando o sapo viscoso bem na minha testa. Pernilongos gostam de testas, e sapos gostam de pernilongo... Testa + sapo = pernilongo – 1... Infalível!
Depois disto, fui até a cozinha e peguei duas rodelas de cenoura. Implantei as mesmas na cabeça do sapo, e prendi alguns bigodes feitos de fios de cobre, para que o sapo ficasse parecido com um rato. Subi no telhado de casa com o sapo fantasiado... Pedi ao gato que me coçasse as costas, pois eu lhe daria, como pagamento, um rato bem gordo pra ele comer... O gato, com suas unhas pontudas e eficazes, coçou-me as costas sem me arranhar, pois estava muito comovido com meu gesto de generosidade.
Depois que minha coceira sumiu de vez, dei o sapo, digo, o rato para o gato comer. Ele comeu e ficou todo feliz da vida. Por último, desferi uma magistral bicuda no felino, o que lhe proporcionou uma rápida viagem até o outro lado da rua, onde morreria intoxicado com a peçonha do rato que era um sapo. E pronto, resolvi todos os problemas e dormi. Viram só, caros coleguinhas... Quando eu digo que não há problema que eu não resolva, não estou mentindo. É fato.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Ô preguiça. Outrora escrevo.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Vladimir sempre foi um bom sujeito. Sempre sempre. Trabalhador, honesto, piedoso e nada fofoqueiro. Mas sua reputação destruiu-se depois que arranjou briga com alguém da vizinhança. Difícil dizer se era alguém, ou algum algo. Certamente era uma coisa, e esta coisa era um poodle.
100% puro e legítimo, o poodle morava na rua e não tinha dono ou protetor. Vivia de comer a ração dos cachorros que não eram de rua. O animal, apesar de sua numerosa família, tinha esperteza acima da média. Sabia como e quando entrar nas casas. Onde havia ração fajuta. Onde havia arroz com carninha. Também era ilustrado nas artes do cortejo e flerte, além de mestre na mecânica do amor. Depois de alguns anos de reinado, o poodle de rua largou vasta prole entre as boas cadelas de família da região.
Pelo exposto, percebe-se que era uma praga. Em pouco tempo, tornou-se inimigo número um do bairro. E Vladimir, bom homem, decidiu eliminar aquele totó da vizinhança. Sua intenção nunca foi maldosa: daria um bom susto no bicho e, se possível, levá-lo-ia para outra cidade. Talvez Campinas, que foi, é e sempre será a cidade dos poodles sacanas.
Depois de noites insones, Vladimir concebeu seu plano de ataque. Preparou uma isca: carne moída com dramin. E deixou num canto do quintal. Canto escolhido pela estratégia, pois havia muro alto e nenhuma chance de fuga para objetos encurralados. Vladimir botou lá no vértice a poção encantada e ficou escondido atrás da lava-roupa. Depois de algum tempo, chegou o poodle.
Se o poodle não fosse esperto, teria comido a carne. Se Vladimir fosse esperto, teria medido as probabilidades. Depois de cheirar a gororoba, o poodle fez meia volta e partia. Vladimir notou o deslize e saiu do seu covil como um raio, colocando-se entre o poodle e a liberdade. Furioso, o homo sapiens atirou uma bolinha de tênis contra o canis poodlens, que devido ao corpo exíguo, nem precisou se esquivar do projétil.
Assustado, o poodle tentou driblar Vladimir, mas este agarrou o animal e a luta cruenta se iniciou. O poodle tentava se soltar e conseguia morder o braço de Vladimir, que, por sua vez, apertava as finas costelinhas do bicho e não conseguia livrar-se das presas do inimigo. Seria um combate equilibrado, com gritos dos dois lutadores.
Depois de alguns longos segundos nesta atracação, ocorreu a Vladimir que ele poderia atirar o cachorro por cima do portão e, assim, de volta à rua. Contava com o susto para traumatizar o cão safado e deixaria barato... Mas o poodle também teve uma boa idéia, que além de mais sórdida, não possuia nenhum dos bons sentimentos de Vladimir. Bastava morder o ponto frágil do humano que ele lhe largaria. Deste modo, enquanto Vladimir corria até o portão de sua casa, o poodle ajeitava-se nas garras do seu agressor para ferir-lhe nos órgãos reprodutores. E então nhac! Cravou no bilau e não soltou...
Vladimir berrou um palavrão que prometera a sua mamãe querida que jamais repetiria. Era insolência demais. Ultrajado, vítima deste golpe vil, o homem decidiu que criatura tão ínfima e pusilânime não mais viveria neste planeta. De mera petica de quintal, a luta passou para as esferas épicas. Ou o poodle matava Vladimir, ou Vladimir matava o poodle. Tipo aquelas coisas do velho oeste. Quiçá, desenho japonês.
Repleto de ódio, Vladimir enfiou seus dedos na encaracolada pelagem do cão, que urrou de modo especial, talvez prevendo que seu ataque havia ferido o tal "eu mais profundo" do oponente. O bom homem, puto da vida ao quadrado, aproveitou-se do portão para terminar o combate. Com uma mão, pegou o poodle pelo rabo, com a outra mão agarrou o irrisório pescoço. Mirou o pequenino traseiro do cão numa lança do portão e, com um movimento vigoroso, fez a perfurante ponta de metal atravessar as estranhas do cão, até sair ensangüentada pela boca do animal. Vladimir empalou o poodle. O corpinho magrelo do cão não morreu na hora, mas não teve sobra de tempo para as últimas palavras. Mesmo se tivesse, creio que ele não saberia muito bem o que dizer. Primeiro pelo susto de morte tão tétrica, e segundo porque jamais conheci cão que fala. Ainda mais da raça poodle. Pois bem, fato é que o poodle faleceu...
Ferido nas cuecas e na honra. Com as mãos sujas de sangue. Salivando de terror pelo que havia feito. Eis Vladimir, o homem de passado irrepreensível... Ficou algum tanto olhando a morte do inimigo, mas logo foi em busca de socorro e não esperou o suspiro final do poodle. Mas, enquanto o homem fora atrás de curativos e band-aids, a vizinhança não ignorou o fato e colocou-se a praguejar contra aquela enorme injustiça. Velhas católicas e cinqüentões desocupados esbravejavam: "Mas como pode fazer isso?! Um bichinho tão inocente?!.. Que maldade, que judiação, que homem horrível!...Eu vou denunciar! Eu vou denunciar!... Covardia! Por que não briga com alguém do mesmo tamanho?!".
Então pronto. Vladimir, o empalador de poodles, teve de vender sua casa e mudar-se pra algum outro bairro que ninguém soubesse de seu passado de fúria e sangue.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Sartre disse que "o inferno são os outros". De tudo que esse vesgo disse e/ou escreveu, apenas concordo com a frase citada. E acrescento: o inferno também são os celulares dos outros. Ô praga desgraçada! Jamais me arrependerei do dia que joguei o meu telefone móvel no lixo.
Mas quero lhes falar do aborto. Como sabem, é proibido em território nacional e não tem jeito de cancelar o rebento por medidas oficiais. Nem alegando que o pequerrucho nascerá sem cérebro. Dura lex, sed lex, emborus imbecilis est.
Para dar volume ao texto, algumas perguntas retóricas desnecessárias: "Deu uma bimbada? A "vírgula do prazer" atingiu-lhe o óvulo? Ficou prenhe e não saber que nome dar ao joãozinho vindouro?" É... isso acontece nos melhores úteros. Infelizmente, a lei brasílica não permite a poda do embrião. Diante dessa lei irritante, dar-lhes-ei minha sincera opinião.
Eis. Sou de opinião que o aborto deve ser legalizado. E não só isto. O aborto deve ser legal até os quinze anos do feto. Nada mais justo. Digamos que o filho da Moça Marta torne-se um filho que só joga videogueime, que torce pro corintians e que coleciona fotos do Beckham... Ora, esse feto crescido merece o aborto, e se a mãe Marta quiser o aborto deste filho empecilho, ela terá o aborto deste filho empecilho.
A vida só é dificil porque nós a tornamos dificil. Tenho certeza de que se a lei permitisse aborto de fetos com até quinze anos, nossas vidas seriam melhores. Mas, se não melhorarem, pelo menos estaríamos livres de alguns adolescentes idiotas... Já seria uma boa medida... Gostar do Beckham, tenha santa paciência!
(Achtung. Quem me acusar de eugenia nazista receberá emeiou da Lopes, Overbach e Pedrosa Advogados com uma citação por Danos Morais e alguma outra alegação obscura e irrefutável. Motivo este que me faz ser cliente da Lopes, Overbach e Pedrosa Advogados... Portanto, atentai, ó incautos!)
Para não perder a oportunidade: o inferno também pode ser o Sartre dos outros.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
Duas Metas para 2005
Este ano, vou parar de fumar... Como todos sabem, é muito dificil largar esse vício maldito. Exige muita força de vontade e dedicação. Viver um dia de cada vez... Mas não importa, porque eu jogarei meu maço de cigarros no rio. E não vou esquecer de atirar também o isqueiro e o cinzeiro. Vou melhorar meu estilo de vida! Vou optar pela saúde! Vou parar de fumar! É agora ou nunca! Adeus nicotina!!! Mas antes, preciso começar a fumar. Amanhã, quem sabe, eu faço isto. Sem pressa.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
[ ]
|