Felipe Vai ao Neurologista.
- Doutor, estou com... Como posso dizer?... Pernilongos dentro da cabeça.
- Como descobriu?
- Bom... Eu fecho os olhos, tapo os ouvidos e continuo ouvindo o maldito iiiiiii...
- E como sabe que são pernilongos?
- Porque fazem iiiiiii...
- Sim, entendo. Mas baleias e golfinhos também fazem iiiiiii...
- É doutor, eu sei. Mas não cabe um golfinho dentro da minha cabeça. E se fosse o caso, bastaria chacoalhar a cabeça pra ver se está cheia d´água, o que não ocorre.
- Bem pensado. O senhor tem tendências ao devaneio e idéias estúpidas e impraticáveis?
- O dia todo... Todo dia...
- Aeroencefálico, com certeza. Vulgo cabeça de vento. Vamos examinar sua caixa craniana, senhor Felipe. E com os métodos mais avançados para detecção de Pernilongos Intraneurais.
[Tocam harpas e o tempo passa.]
- De fato, senhor Felipe, há pernilongos no interior de sua cabeça. Uns dezesseis. O senhor bebeu muita água parada em vasos e pneus velhos quando era criança?
- Hmmm... É... Ás vezes, doutor... Esporadicamente.
- Poizé. As larvas vão pro estômago, eclodem, e depois voam até o local mais alto do corpo, geralmente o cérebro. Igual acontece nos desenhos animados.
- Meu Deus... Quanto tempo eu tenho de vida, doutor?
- Ah, não se preocupe. O tratamento é bem simples. Basta uma inalação de Detefon antes de dormir, por 05 dias.
- Noites...
- Sim, noites. Por acaso o senhor também vê estes pernilongos?
- Como assim?
- O famoso Caçador de Mafagafinhos, sabe? Se estão dentro da sua cabeça, provavelmente eles passam voando na frente do nervo ótico. Aí o senhor vê pernilongos que não estão no mundo real, apenas dentro da cabeça. Em casos graves, o sujeito fica tão alterado que desenvolve tiques nervosos e é excluído da sociedade.
- Hmmm... Não notei nada. Quando vejo um pernilongo, mato na hora... Raramente me escapam, pois tenho ódio homicida... E nunca vi um mafagafinho...
- E formigas? O senhor costuma vê-las e não consegue matar nenhuma?
- Também não tenho esse problema não...
- Excelente. Formigueiro intraneural tornou-se muito comum nas mulheres de hoje. Mas os casos em homens estão aumentando. Uma epidemia. As formigas fazem um formigueiro na frente do nervo ótico e o paciente passa a ver formigas até no céu.
- Que interessante... Acho que minha mulher tem isso... Vive reclamando delas. E qual o tratamento, doutor?
- Colírio de formicida! Peça pra ela marcar uma hora comigo.
- Obrigado pela atenção, doutor... Se não sarar eu volto.
- Vai sarar. Sou o melhor neurologista do ocidente. Estou aqui neste hospício apenas por causa duma depressãozinha boba.
- Outra epidemia, doutor... Não entendo porque tanto chôrôrô.
- Nem eu. Até logo, senhor Felipe.
- Até, doutor...
- Próximooo!
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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Machados. Dentro dum carro, são quase inúteis. Quem desferir o golpe não conseguirá força suficiente. Poderá até contrair um ombro deslocado, algum pulso torcido ou mesmo bursite desgraçada (caso insista em usar, por longos períodos, o machado no interior de veículos de passeio). Nem a machadinha será de muita serventia.
E quem receber o golpe não ficará assim tão machucado. Nem é recomendável, pois a vítima pode ficar nervosinha, começar a gritar e espalhar sangue por tudo que é lado. Essas malditas vítimas histéricas. Morrer calado é muito elegante, não sei porque não se torna praxe entre os pré-cadáveres. Fora a quase impossibilidade de limpar o interior de um veículo todo ensangüentado. (Afunde ou queime... Joaquim Mascarenhas, serial killer luso, afudou e depois tentou queimar um Mini Cooper bege sujo com o sangue dum velhote decapitado. O assassino foi condenado a trocentos anos de cadeia.)
Desta maneira, cabe-me informar que, seja o motorista ou o passageiro a portar um machado, o "desmachadado" não estará em perigo enquanto estiver dentro do automóvel. Fora dele a história muda, e o conselho será correr como o Forrest Gump, ou pular sobre o algoz, com ferocidade máxima, no momento em que o mesmo iniciar a machadada. É uma ferramenta para longas distâncias e necessita de espaço. Por isso, sine qua non: luta ou fuga. Só um idiota esboçaria defender-se de um machado. Coitadinho.
A menos que o carro seja conversível. Aí o machado volta a ser perigoso. O assassino terá a amplidão atmosférica ideal para machadadas de arrancar miolos, membros ou medulas. Portanto, no interior do carro, outras ferramentas serão mais eficazes, mas falaremos sobre isto num futuro próximo.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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