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Gradação dos Unfos
Tive esta idéia enquanto esperava o feijão cozinhar. E é bem simples. A partir da Decomposição do Triunfo, formulei os níveis mais baixos (o unfo e o biunfo), até as conquistas mais superlativas (o tetraunfo e pentaunfo). Comecemos por baixo.
O Unfo. Primeiro e mais básico deles. Unfa quem consegue aqueles pequenos feitos do cotidiano, como um feijão bem temperado ou manter a mesa de trabalho organizada. Gravar CD´s direito, sem ataques de fúria. Um elogio da sua avó (se formos rigorosos, elogio de avó nem é unfo. Chega no máximo ao semi-unfo, mas não seremos rigorosos hoje).
Depois, o Biunfo. Aqui já temos algum tipo de glória, embora incipiente. Fulano biunfou na mesa de truco do bar, Beltrano pretende levar Sicrana ao cinema e, quem sabe, conseguir um beijinho biunfal. A essência do biunfo, como podemos ver, é não ser um triunfo. Chamemos então o biunfo de triunfinho. Às vezes, um feijão bem feito também é biunfal. (Como vocês podem notar, ando encafifado com feijão, mas vou deixar pra discutir isso com meu psicanalista. Afinal, ele é pago pra desvendar os problemas mais importantes da minha vida).
O Triunfo não precisa ser explicado, pois está no dicionário. Vejam lá: é marco zero da nossa hermenêutica unfística. Mas, para manter o espírito da coisa, alguns exemplos grátis: a volta olímpica do campeão. O retorno dos astronautas. A sua tão esperada promoção pra chefe (de qualquer coisa, não importa). Acertar o bolão. Comer apresentadoras de televisão na praia, e o vídeo cair no Youtube. Tudo isso é triunfal. E o dia que eu fizer um feijão decente também será.
Agora, o mais que triunfal, o tetraunfal. Um golpe de estado bem sucedido é tetraunfal. Ganhar na megasena também. Passar a vida perambulando pela Europa com dinheiro público. Planejar e executar um filme desgraçado de bom. Quebrar todos os recordes a la Schumacker. Descobrir a fórmula do feijão perfeito. A lista é longa e já se percebe no tetraunfo certas fantasias... Porém realizáveis! Esta é a diferença entre o tetraunfo e o pentaunfo. O primeiro é viável, já o pentaunfo...
O tal do Pentaunfo. Reino do impossível. Entramos no mundo alucinatório dos megalomaníacos. Cabem aqui os delírios mais ambiciosos de qualquer mortal, entre eles, tornar-se imortal. Darei algumas dicas do que seria pentaunfal pra mim. Primeiro, elevar-me a condição divina, depois disparar raios pelos olhos e sucumbir à vaidade de ser idolatrado por um bando de manés. Isso é realmente pentaunfal. Ou então, roubar o Fort Knox, abocanhando bilhões de trilhões e, por tédio, comprar a França. Ainda mandaria um comunicado aos britânicos. Ou me elevam a Sir... ou a vingança nuclear por Waterloo! E nunca mais venderemos nossos vinhos e queijos pra vocês! Ingleses de merda com seus feijões brancos com gosto de tampinha de caneta Bic! E vamos trocar a água pútrida de Veneza por feijão, mas um feijão gostoso. Não essa joça que se encontra por aqui... Bom, já estou delirando e é melhor parar por aqui com estes pentaunfos.
Próximo textículo: Enigmas do Paio – Uma Visão Dialética-Perspectivista dos Embutidos na Cocção do Feijão.
Escrito pelo desalmado Felipe Balster
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